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Introdução

Um Título Perfeitamente Presunçoso?

Mais de trinta anos se passaram desde que me sentei perto do rio Ganges e tive a conversa descrita neste livro. Desde que foi publicado pela primeira vez em 1976, compartilhei muitas cópias. Muitas vezes foi difícil explicar um título que fala sobre minhas “perguntas perfeitas”, pois, em 1972, eu tinha vinte e dois anos e estava longe da perfeição! No entanto, o homem com quem eu conversava, Śrīla Prabhupāda, sugeriu o título Perguntas Perfeitas, Respostas Perfeitas. E ele era bastante humilde consigo mesmo. Como toda essa perfeição aconteceu?

Minha família judaica conservadora incutiu em mim um desejo interior de entender Deus. A autodescoberta e os protestos antiguerra marcaram meus anos de faculdade, embora, em 1971, eu tenha conseguido me formar em Química no Instituto Politécnico Rensselaer. Naquele misto de introspecção e protesto, fiquei fascinado pelo canto de Hare Kṛṣṇa, que ouvi pela primeira vez no final dos anos 60 no Greenwich Village, e igualmente fascinado pela Bhagavad-gītā, o manual do yoga.

Eu aprendi que yoga significa “união com Deus”. Os conceitos de yoga me atraíram, mas não contradiziam os princípios da minha educação. Ainda assim, a apresentação do yoga nos Estados Unidos me incomodava. Todas as semanas, o New York Daily News publicava uma página central do mais recente guru indiano proclamando sua iluminação para o mundo. Em quem eu poderia confiar? Parecia que eu precisava ir à fonte – a mística e distante Índia. Depois da faculdade, o Corpo da Paz me pareceu uma maneira atraente para eu explorar a Índia, viver em uma vila, aprender o idioma e realmente investigar a Gītā e o canto.

A Índia não era como eu tinha imaginado. A pobreza extrema era, descobri, principalmente um fenômeno urbano. Embora mendigos infestassem as cidades, o interior era exuberante com fazendas e vilarejos pacíficos de pessoas contentes. Uma transcendência sutil e elusiva permeava tudo.

Depois de começar meu trabalho como professor de ciências do ensino médio em Bihar, comecei a visitar templos, mesquitas e igrejas. Foi desencorajador. As congregações não estavam buscando a autorrealização; estavam buscando dinheiro, boa sorte e prestígio. Eu conheci vários gurus, mas nenhum me impressionou.

Minha busca existencial começou a se dissipar. Em fevereiro de 1972, visitei Calcutá durante as férias escolares. Lá estavam os devotos do Hare Kṛṣṇa, na maioria ocidentais, cantando como eu os havia visto fazerem no Greenwich Village. Eles me convidaram para visitar um retiro a cem quilômetros ao norte de Calcutá. Decidindo que se encaixava bem com minha busca, concordei.

Pegamos um trem pelo exuberante campo bengali até Māyāpur, um belo local perto do rio Ganges. Ao chegar, descobri que Māyāpur era um projeto de retiro – por enquanto, era um arrozal recém-comprado com tendas e uma cabana. No entanto, o arrozal ficava perto do local sagrado de nascimento do famoso santo medieval Śrī Caitanya. E, na cabana, estava o fundador do movimento internacional dos devotos de Kṛṣṇa, um senhor idoso chamado Śrīla Prabhupāda. Seus seguidores estavam ocupados administrando uma cozinha comunitária para os muitos refugiados da recente guerra indo-paquistanesa. Eu me instalei na tenda masculina e me ofereci como voluntário para o esforço de ajuda alimentar.

Havia cerca de sessenta seguidores de Kṛṣṇa, na maioria americanos ou europeus e com menos de vinte e cinco anos. Eles eram entusiasmados, para dizer o mínimo. Muitos estavam ansiosos para compartilhar suas crenças com o único convidado que falava inglês – eu. No entanto, fui convidado a conhecer Śrīla Prabhupāda, e senti que essa era a razão pela qual eu tinha ido à Índia.

Agora, falemos da parte das “perguntas perfeitas”, que me causa tanto desconforto. A Bhagavad-gītā (o manual sobre transcendência) inclui este incentivo para um buscador: “Tente aprender a verdade aproximando-se de um mestre espiritual. Faça-lhe perguntas com submissão e preste-lhe serviço. As almas autorrealizadas podem lhe transmitir conhecimento porque elas são videntes da verdade.” (Gītā 4.34)

De acordo com essa instrução, existem três qualificações para o recém-chegado:

1. Visitar o guru;
2. Indagar sem desafiar;
3. Auxiliar o guru de alguma forma.

A Gītā sugere que o guru pode “transmitir conhecimento” quando essas três condições são atendidas.

Minha intenção ao visitar Śrīla Prabhupāda era investigar, não contestar. Depois de conhecer e estudar muitos instrutores autoproclamados, eu estava extremamente cético, mas os seguidores de Śrīla Prabhupāda me intrigavam.

Depois que passei da primeira camada de empolgação deles, encontrei uma verdadeira mistura de misticismo e renúncia juntamente com explicações convincentes. Resolvi passar meu tempo com Śrīla Prabhupāda aprendendo em vez de desafiar. Mais tarde, eu poderia decidir aceitar ou rejeitar o que eu ouvira.

Dessa forma, atendi as duas primeiras orientações da Gītā. O programa de ajuda alimentar do movimento de Kṛṣṇa também ocupava meu dia, então pude atender o número três também.

Do ponto de vista de Śrīla Prabhupāda, eu estava seguindo as prescrições da Gītā: daí “Perguntas Perfeitas”. No tocante a Śrīla Prabhupāda, ele respondeu minhas perguntas com base nesta prescrição da Gītā (4.2): “Essa ciência suprema foi assim recebida através da corrente de sucessão discipular, e os reis santos compreenderam-na dessa maneira.”

Śrīla Prabhupāda respondeu as minhas perguntas com base no antigo sistema de sucessão discipular – repetindo o que ele ouvira de autoridades anteriores, sem inventar nada. Assim, minhas perguntas respeitosas recebiam “Respostas Perfeitas” por parte de um humilde mensageiro de seus predecessores.

A primeira conversa que tive com Śrīla Prabhupāda não foi registrada por seu secretário. Portanto, o livro começa sem nossas apresentações e diálogo inicial. Todos os assuntos substanciais começam com o segundo diálogo, que é o primeiro capítulo.

Que a leitura de minhas conversas com Śrīla Prabhupāda conduza você à sua própria perfeição.

– Bob Cohen

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