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Capítulo Dez

A Luta de Dhruva Mahārāja contra os Yakṣas

VERSO 1: O grande sábio Maitreya disse: Meu querido Vidura, em seguida Dhruva Mahārāja casou-se com a filha do Prajāpati Śiśumāra, cujo nome era Bhrami, e dela nasceram dois filhos chamados Kalpa e Vatsara.

VERSO 2: O poderosíssimo Dhruva Mahārāja tinha outra esposa, chamada Ilā, que era filha do semideus Vāyu. Ele gerou com ela um filho chamado Utkala e uma filha belíssima.

VERSO 3: Uttama, o irmão mais novo de Dhruva Mahārāja, que ainda era solteiro, certa vez saiu numa excursão de caça e foi morto por um poderoso Yakṣa nas montanhas Himalaias. Além dele, Suruci, sua mãe, também trilhou o seu caminho [também morreu].

VERSO 4: Ao saber que seu irmão Uttama havia sido morto pelos Yakṣas nas montanhas Himalaias, Dhruva Mahārāja, dominado pela lamentação e pela ira, subiu em sua quadriga e partiu para derrotar a cidade dos Yakṣas, Alakāpurī.

VERSO 5: Dhruva Mahārāja dirigiu-se ao norte da cordilheira dos Himalaias. Em um vale, ele avistou uma cidade cheia de pessoas fantasmagóricas, seguidoras do senhor Śiva.

VERSO 6: Maitreya continuou: Meu querido Vidura, chegando a Alakāpurī, Dhruva Mahārāja imediatamente soprou seu búzio, cujo som reverberou por todo o céu e em todas as direções. As esposas dos Yakṣas ficaram muito amedrontadas. Seus olhos demonstravam que elas estavam cheias de ansiedade.

VERSO 7: Ó herói Vidura, os poderosíssimos heróis dos Yakṣas, incapazes de tolerar a vibração retumbante do búzio de Dhruva Mahārāja, saíram armados de sua cidade e atacaram Dhruva.

VERSO 8: Dhruva Mahārāja, que era um grande quadrigário e certamente também um grande arqueiro, imediatamente colocou-se a matá-los, disparando três flechas de cada vez.

VERSO 9: Quando os heróis dos Yakṣas viram que todas as suas cabeças estavam sendo assim ameaçadas por Dhruva Mahārāja, foi-lhes muito fácil entender a situação perigosa em que se encontravam. Embora concluíssem que certamente seriam derrotados, como heróis, eles louvaram a ação de Dhruva.

VERSO 10: Assim como serpentes, que não suportam ser pisadas pelos pés de ninguém, os Yakṣas, não tolerando a bravura admirável de Dhruva Mahārāja, atiraram duas vezes mais flechas – seis de cada um de seus soldados – e assim, com grande valentia, mostraram sua proeza.

VERSOS 11-12: Havia cento e trinta mil fortes soldados Yakṣas, todos iradíssimos e desejando revidar as admiráveis iniciativas de Dhruva Mahārāja. Com força total, eles arremessaram em Dhruva Mahārāja, como também em sua quadriga e quadrigário, vários tipos de flechas emplumadas, parighas [clavas de ferro], nistriṁśas [espadas], prāsaśūlas [tridentes], paraśvadhas [lanças], śaktis [chuços], ṛṣṭis [lanças] e armas bhuśuṇḍī.

VERSO 13: Dhruva Mahārāja foi completamente coberto por uma incessante saraivada de armas, assim como uma montanha é coberta por uma incessante tempestade.

VERSO 14: Todos os Siddhas dos sistemas planetários superiores observavam a luta do céu, e, ao verem que Dhruva Mahārāja tinha sido coberto pelas incessantes flechas do inimigo, eles bradaram tumultuosamente: “Dhruva, o neto de Manu, agora está perdido!” Eles exclamaram que Dhruva Mahārāja era como o Sol, mas que agora se havia posto no oceano dos Yakṣas.

VERSO 15: Os Yakṣas, estando temporariamente vitoriosos, exclamaram que haviam derrotado Dhruva Mahārāja. Mas, neste ínterim, a quadriga de Dhruva subitamente apareceu, assim como o Sol aparece de repente de dentro de um nevoeiro.

VERSO 16: Dhruva Mahārāja retesava seu arco, e suas flechas sibilavam, entristecendo o coração de seus inimigos. Ele se colocou a disparar flechas incessantes, despedaçando todas as variadas armas deles, assim como uma rajada de vento espalha as nuvens reunidas no céu.

VERSO 17: As afiadas flechas disparadas do arco de Dhruva Mahārāja trespassaram os escudos e corpos do inimigo, assim como os raios disparados pelo rei do céu desmantelam os corpos das montanhas.

VERSOS 18-19: O grande sábio Maitreya continuou: Meu querido Vidura, as cabeças daqueles que foram despedaçados pelas flechas de Dhruva Mahārāja estavam muito belamente decoradas com brincos e turbantes. As pernas de seus corpos eram belas como palmeiras douradas, seus braços estavam adornados com braceletes e braçadeiras douradas, e, sobre suas cabeças, havia valiosíssimos elmos incrustados de ouro. Todos esses ornamentos espalhados por todo aquele campo de batalha eram muito atrativos e poderiam confundir a mente de um herói.

VERSO 20: Os Yakṣas restantes que de alguma forma não foram mortos tiveram seus membros despedaçados pelas flechas do grande guerreiro Dhruva Mahārāja. Então, eles começaram a fugir, assim como os elefantes fogem quando derrotados por um leão.

VERSO 21: Dhruva Mahārāja, o melhor dos seres humanos, observou que, naquele grande campo de batalha, não sobrara nem mesmo um soldado inimigo de pé e com armas apropriadas. Então, ele desejou ver a cidade de Alakāpurī, mas pensou consigo mesmo: “Ninguém conhece os planos dos místicos Yakṣas.”

VERSO 22: Neste ínterim, enquanto Dhruva Mahārāja, apreensivo com seus inimigos místicos, falava com seu quadrigário, eles ouviram um som formidável, como se todo o oceano estivesse ali, e viram que do céu caía sobre eles uma grande tempestade de poeira, vinda de todas as direções.

VERSO 23: Em um instante, todo o céu escureceu-se com densas nuvens e ouviu-se um intenso trovejar. Havia reluzentes relâmpagos e chovia muito fortemente.

VERSO 24: Meu querido e impecável Vidura, aquela tempestade caía sobre Dhruva Mahārāja, carregada de sangue, muco, pus, excremento, urina e tutano, e troncos de corpos caíam do céu.

VERSO 25: Então, uma grande montanha se fez visível no céu e, de todas as direções, caiu granizo, juntamente com lanças, maças, espadas, clavas de ferro e grandes pedaços de pedra.

VERSO 26: Dhruva Mahārāja também viu muitas serpentes enormes e com olhos irados, vomitando fogo e vindo para devorá-lo, juntamente com grupos de elefantes, leões e tigres enfurecidos.

VERSO 27: Então, como se fosse o momento da dissolução do mundo inteiro, o mar feroz, com ondas espumantes e sons estrondosos, apareceu diante dele.

VERSO 28: Os demônios Yakṣas são muito abomináveis por natureza e, com seu demoníaco poder de ilusão, podem criar muitos fenômenos estranhos para amedrontar aqueles que são menos inteligentes.

VERSO 29: Após ouvirem que Dhruva Mahārāja fora dominado pelos místicos truques ilusórios dos demônios, os grandes sábios imediatamente reuniram-se para oferecer-lhe um auspicioso encorajamento.

VERSO 30: Todos os sábios disseram: Querido Dhruva, ó filho do rei Uttānapāda, que a Suprema Personalidade de Deus, conhecida como Śārṅgadhanvā, que alivia as aflições de Seus devotos, mate todos os teus ameaçadores inimigos. O santo nome do Senhor é tão poderoso como o próprio Senhor. Portanto, simplesmente cantando e ouvindo o santo nome do Senhor, muitos homens podem ser inteiramente protegidos da morte cruel, sem dificuldade. Assim se põe a salvo o devoto.

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